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Eu me lembro bem da primeira vez
em que coloquei a mão em uma mesa
digital. Fui operar P.A. num grande evento, realizado em um
ginásio de
esportes. Quando o coordenador da parte técnica informou aos
demais que eu
seria o técnico, todos viraram a cara para mim. E a 10 minutos
do início do
evento, lá estava eu frente a um equipamento que não
fazia idéia por onde
sequer acessava os canais de 24 a 48. Ao pedir auxílio para um
dos técnicos da
própria igreja, o mesmo respondeu-me “Mas
se fulano colocou você para fazer o P.A., é porque você já sabe, não é?” Aí
estava uma raiva estampada na cara daquele que mais tarde acabou realizando
alguns trabalhos junto comigo. Ok, mesmo assim, pontualmente às 19h, o evento
se iniciaria. Para minha sorte, nesta mesa (uma Yamaha DM2000), os botões de Mute estão facilmente acessíveis. Então,
logicamente, para liberar um canal, bastava pressioná-lo e pronto, algo já
aparecia naquele fly P.A, composto por algumas KF850.
O tempo se
passou e acabei me tornando uma pessoa de confiança do ministério de som
daquela igreja. Dali, me foram confiados alguns CDs, DVDs e shows de larga
escala. Afinal, eu havia aprendido sozinho a operar as mesas digitais
disponíveis na própria igreja e nos eventos externos.
Tomando
isto como base, tive uma experiência há alguns dias que me puderam fazer
refletir mais ainda. Em um ensaio musical realizado no teatro onde trabalho,
observei equipamentos de determinada empresa de sonorização sendo descarregados
no nosso palco. Imediatamente, aproximei-me dos técnicos e procurei iniciar uma
conversa, é claro, de meu interesse. Para minha surpresa, os dois que lá
estavam me receberam muito bem e, com simpatia e paciência absolutas, sanavam
minhas dúvidas e respondiam as minhas perguntas que, para eles,
soavam como algo
de gente iniciante (com certeza, pela simplicidade das respostas). Um
dos
comentários que fiz, foi a respeito do proprietário da
empresa deles, que é
enormemente conhecido neste meio. Qual não foi a surpresa quando
me disseram
que em poucos instantes ele estaria no local com a gente. Ótimo!
Pedi então
para que me apresentassem e, pouco mais de 10 minutos, lá estava
eu conversando
com o empresário Armando Baldassara, o Tuka, da Tukasom. Mais me
surpreendi
quando ele mesmo teve a atitude de sentar-se ao meu lado, após
os meus elogios
à sua empresa. O tratamento dado a mim por uma pessoa tão
influente nesse meio me fez demorar a digerir. Eu pensava que ele
deveria ter mais o que fazer. Mas
não. Ele estava ali, contando uma boa parte das histórias
de sucesso ou não, de
toda a estrutura da empresa, dos principais negócios, etc.
Num outro
dia, outros técnicos fizeram o trabalho da Tukasom. Tive então a oportunidade
de conhecer mais profissionais, em especial um deles que me explicou muito
sobre alinhamento, sobre escolha de caixas, etc. Ao final, ele mesmo me deu o seu
e-mail e disse para um dia combinarmos de assistir algum trabalho da empresa
em ação.
O que me
chamou a atenção foi simplesmente que o Tratamento
Sonoro que esses caras tiveram comigo, foi mil vezes melhor do que o Tratamento Sonoro que o técnico da minha
igreja tinha me dado. Por que será? Nitidamente, os profissionais da Tukasom
sabiam milhões de vezes mais do que o da minha igreja. Mas esta não é a
primeira vez que percebi isto.
Meus
queridos, inúmeras vezes presenciei casos em que o técnico de uma igreja não
recebeu bem um técnico novo. O novo colaborador parecia um rival, uma ameaça,
alguém que colocaria em risco o “trono” do outro técnico... vocês conseguem
entender? Dentro da igreja, o técnico deseja trabalhar sozinho, não quer
ensinar nada, não quer ter ‘sombra’, enquanto no meio profissional, quanto mais
gente para agregar conhecimentos, melhor, mesmo que para isto precisem treinar
os ‘novatos’. Não deveria ser ao contrário? Eu já cansei de presenciar
desentendimentos de técnicos com músicos sobre o altar! Onde estamos? Pra que
isto? São bate-bocas, desentendimentos sérios, e até ameaças de agressões
físicas... DENTRO DA IGREJA? Meu Deus...
Quero lhe
convidar a fazer parte comigo do time dos técnicos simpáticos evangélicos. O
que acham? Podemos até fazer camisetas mais para frente, divulgar largamente
nossos ideais, tudo para Honra e Glória do nosso Deus, que, cá entre nós, não
curte muito essas ‘trocas de gentilezas’. Para ser um de nós, basta seguir os
seguintes tópicos:
- Mesmo
que tenham falado com você em um tom mais agressivo, mantenha a calma. Com
certeza, nem tudo é tão óbvio assim como eles pensam. Você está tomando
conta dos botões, e sabe as limitações do sistema / local;
- Não
tenha medo de dizer “Isto eu não sei”.
Muitas vezes, você poderá receber o auxílio de algum outro irmão, mesmo
curioso, e tentando, chegam ao resultado desejado. O importante é não dar
explicações que você não tenha certeza.
- No
caso de uma real impossibilidade de atender alguma solicitação durante
sua operação, fale uma linguagem que os mais leigos entendam. Não saia
usando termos que os confundam mais ainda. Não dê a eles a sensação de “ah, eu não entendi nada do que ele
falou, mas se ele está falando, é por que deve ser”. Faça sua mensagem
ser clara e objetiva. Se precisar, utilize ilustrações e suposições
simples para expor os fatos;
- Seja
sempre simpático. Nunca ordene mudanças. Sugira experimentos. Se você sabe
que algo está errado, será muito mais fácil alguma alteração se você
sugerir um teste, e em seguida mostrar as melhoras. O músico se sentirá
amparado por você, e confiará no seu trabalho;
- Nunca
grite da mesa de som. Lá você deverá estar apenas para operar o sistema.
Mesmo não sendo nada absurdo, alguém na igreja poderá entender que você
está gritando porque está nervoso, ou algo parecido;
- Apesar
do seu papel ser a operação do sistema, faça-se presente sempre que
possível no palco, acompanhando a passagem de som, ficando um curto tempo
ao lado de cada músico, e perguntar sobre o que poderá ser melhorado. Suas
chances de ouvir “está ótimo”
serão muito grandes.
- Recebam
bem aqueles que querem se aproximar do seu trabalho. Sempre ensine. Seja simpático.
Afinal, das duas uma: ou essa pessoa fará parte da sua equipe somando e
tornando seu trabalho mais fácil, ou em pouco tempo desistirá e procurará
outra coisa para fazer.
Acredito que com este Tratamento Sonoro, o nosso
time ganhará alguns adeptos e as coisas ficarão muito menos pesadas. Por favor, testem e me avisem.
Até a próxima e que Deus lhe abençoe
Caio Eduardo
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