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O SOM dos meus Sonhos,  ...  acorda!

Olá, queridos amigos.

Depois de um longuíssimo período sem escrever-lhes (por minha exclusiva culpa, retomo as rédeas prometendo esforçar-me para tornar estes artigos mais freqüentes.

                Já escrevi sobre o som nos parques da Disney em outra ocasião. Mas vou voltar a falar sobre. Este ano, Deus me proporcionar voltar àquele lugar.

                Sem dúvida alguma, até quem nunca esteve lá, pode dizer que perfeição é sinônimo de dia-a-dia pra eles. Não só no requisito de áudio, mas de figurinos, limpeza, segurança, tratamento com os visitantes, estacionamento, etc... Logo, no som não poderia ser diferente.

                Diante disso, me atrevo a dizer que para quem quer trabalhar com áudio, deveria ser obrigatório uma visita. Melhor se o custo fosse mais acessível. Pois bem, se você não teve (ainda) a oportunidade de ir à Disney, vou lhes comentar um ponto que muito me chamou a atenção. Acredito que para muitos que conhecem algo sobre som e já visitaram, não tenham percebido uma série de detalhes, diante de tanta alegria que aquele lugar oferece. Não condeno que não notou (rs!), mas para mim, que sou completamente bitolado pela coisa, foi muito mais legal do que ver o Mickey ou o Pateta (...talvez nem tão mais legal que este último, de quem sou fã incondicional).

                Voltando ao assunto de nosso interesse. Quem já foi, poderia dizer quantos sistemas de line array existem disponíveis, somando os 4 principais parques do complexo? Não reparou? E para quem ainda não foi, um chute? Bem, seja lá sua resposta, aí vai a correta: APENAS UM ! Sim, e ele está na atração “A Bela e a Fera” (Hollywood Studios), no qual conversamos no outro artigo sobre este show. Parece impressionante, mas apenas um sistema de line array pode ser visto naquele gigantesco complexo. E sabem mais? Não faz a mínima falta.

                Obviamente que as caixas acústicas utilizadas naqueles parques são inacessíveis para a esmagadora maioria das igrejas (talvez hoje nem tanto). São única e exclusivamente da marca Meyer Sound, apenas com exceção da atração do Indiana Jones, onde o P.A. principal frontal utilizado é formado por 8 EAW KF850 de cada lado. Mas nos delays e sorround, lá estão as Meyer Sound.

                Porém, posso garantir que essas caixas não resolvem tudo sozinhas. Temos o fator acústico do local. Todos os espaços são completamente tratados acusticamente. Perfeitos. Nada menos que isso. Mas, será isto suficiente? Não. Temos os demais equipamentos. Só? Não. Temos ainda a competência do operador da mesa. Ah, chegamos num fator crucial para o sucesso dos trabalhos. Apesar de notar diferença entre um técnico e outro na mesma atração, não posso apontar defeitos. E quem sou eu, né? (rs!) Com certeza, para se trabalhar lá, devem exigir conhecimentos musicais, pois tudo é feito na base do playback, onde apenas os cantores atuam ao vivo.

                Mas é só? Não. Longe. Agora é o mais difícil, e onde não é palpite que vale. Posicionamento das caixas, alinhamento e ajuste dos tempos de delay do sistema de P.A. Mesmo com o sistema que chamamos de convencional de caixas (quando não é um line array), o som chega uniforme a todos os pontos. É impressionante quando você ouve algo de onde nunca espera, e olha para de onde vem, e encontra uma caixa Meyer Sound lá... Parece algo do tipo “puxa, nem vi que você estava aí.” Sim, mas ela está!!!

                Cito em especial, o show “Lion King, the Musical”, no parque “Animal Kingdom”. O local tem o formato de hexágono, um teatro de arena. Existe um PA central composto por seis jogos com os seguintes elementos: 2 caixas de altas penduras no centro e para baixo, e um subwoofer acima delas. Tudo da Meyer Sound, obviamente... obviamente lá, né! Cada um deste jogo aponta para um dos lados. Como se não bastasse, isso pra eles não é o suficiente, pois isso não daria o efeito de estéreo. Afinal, estão todas agrupadas em formato de ‘Central Fly’. O estéreo, resolveram da seguinte forma: em cada lado onde a platéia está, existem duas caixas menores da Meyer Sound, uma de cada lado, onde o playback e outros efeitos são reproduzidos. Assim sendo, as vozes vem num volume maior através do Central Fly, e o restante desses delays. Preciso falar mais alguma coisa? Fazendo as contas, é possível afirmar que em apenas em UMA atração (que é esta), existem 24 caixas de altas e 6 subwoofer. Legal, né? E o som, além de perfeito, num volume onde consegue-se compreender tudo o que acontece, e conversar com a pessoa do lado sem precisar gritar.

                O que eu quero deixar para você, querido amigo, é que se o som na sua igreja não está satisfatório, muito provavelmente e com praticamente toda certeza, NÃO é questão do tipo de sistema. Claro, caixas baratas e mal cuidadas, com componentes comprometidos podem e devem ser a causa. Mas o que eu quero que entendam é que o line array não é o remédio pra tudo. Certa vez me disseram: “essas caixas não são boas, tinha que por um line aí...”, enquanto o sistema disponível era RCF. Agora, o local, completamente despreparado acusticamente... Compensa muito mais se investir em tratamento acústico com profissional capacitado e rever como está o seu cabeamento, conexões, e posicionamento. Você sabia que é tão complexo se alinhar e agrupar caixas acústicas que, tomando por exemplo um fly convencional com duas caixas iguais de cada lado, pode se ter cancelamentos de altas simplesmente porque suas cornetas estão não “alinhadas” corretamente?  Sim, se uma invade o espaço da outra, você poderá ter uma área de interferência, causando cancelamento em determinada freqüência. E não adianta tentar ajustar no equalizador, não vai ter jeito.

                Enfim, conhecimento técnico é tão importante quanto o equipamento.

                Antes que eu receba uma enxurrada de e-mails dizendo que eu sou contra o sistema de line array, já me defendo que não é essa minha opinião, em absoluto. O que eu defendo, juntamente com outros colegas, é que o line array por si só não faz nenhum milagre. O line array é um sistema tão eficiente e tão complexo ao mesmo tempo em que não deve ser usado descontroladamente e sem o mínimo conhecimento técnico. Não se pode pendurar um line array sem um software descente. Caso contrário, ele pode causar efeitos sonoros destrutivos. E obviamente que um line array de verdade não é apenas um conjunto de caixas “deitadas” e penduradas formando um lindo “J”, como muitos fabricantes aí o fazem.

              

                E para encerrar, aí vai minha sugestão: quando encontrar o Pateta, pergunte a ele se ele conhece o próprio nome em português. Diga a ele qual é, e você verá as reações mais anormais que um ser vivo pode ter.

 Caio Eduardo