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UM RELACIONAMENTO DE PAI E FILHO.

Mas ele respondeu a seu Pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o Pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. (Lc 15.29-31).


Preparando uma aula que ministraria na FABC – Faculdade Batista ABC senti um toque de Deus chamando a minha atenção para cultivar um relacionamento de Pai e filho com Ele.
Na parábola do filho pródigo vemos que o filho mais velho, embora vivendo com o Pai e desfrutando da sua casa, não se aproveitava de um relacionamento com ele. Não cabe aqui direcionar a nossa atenção para os problemas causados pelo filho mais moço, mas lançar um olhar para certas características do filho mais velho e assim extrair lições preciosas dos seus erros.
Muitos de nós vivemos como este filho mais velho. Mesmo estando junto ao Pai, não mantemos comunhão com ele. Embora aquele filho não tivesse abandonado a casa e partido para longe, não vivenciava um relacionamento de intimidade com o Pai. Ele não gozava de um contato Pai e filho, mas antes tinha uma relação de patrão-empregado.
Há tantos anos que te sirvo, dizia ele. É bem verdade que havia muito tempo que ele trabalhava na lavoura do Pai sem, contudo, abrir-lhe o coração. Havia tantos anos que ele queria dar uma festa aos seus amigos e nunca tinha compartilhado disso com o seu Pai. Nunca lhe falou dos seus sonhos e anseios. Por isso, ele havia se tornado queixoso e até rancoroso com o Pai. A sua colocação “... nunca me deste nem sequer um cabrito” e a sua afirmação “... há tanto tempo que te sirvo” denotam claramente que ele não tinha um relacionamento Pai e filho, mas de patrão-empregado. Nunca havia entendido o significado de ser filho. Ser filho não é desperdiçar os bens do Pai na forma como melhor nos convém. Mas também não é servir-lhe de empregado, não se beneficiando da sua companhia e comunhão.
Cristo exemplifica como deve ser um relacionamento Pai e filho. Nesta parábola ele nos demonstra isso quando o pai diz: “Meu filho, tu sempre estás comigo”. “... tudo o que é meu é teu”. É esse o tipo de relacionamento em que Deus está interessado. Um relacionamento de amor e companheirismo.
Quais as principais diferenças entre o relacionamento Pai e filho e a relação patrão-empregado? O empregado é valorizado pela qualidade do seu serviço. Já o valor do filho se baseia na certeza de ser filho, sendo apreciado pelo que é e não pelo que faz. O empregado precisa saber apenas o que fazer. O Pai revela os seus propósitos e o filho entende o coração do Pai. O filho também abre o seu coração para o Pai. O empregado faz tudo por obrigação no cumprimento do seu dever. O filho faz com alegria porque participa com o Pai de seus projetos e propósitos. O empregado age por contrato. O filho, por aliança. O filho tem uma relação de família, de intimidade, carinho, afeto, amor, alegria e celebração. O empregado é emocionalmente distante do seu patrão. O filho compartilha do espírito, da herança e do sentimento do Pai. Quando erra, o empregado é punido e muitas vezes demitido. O filho quando falha é disciplinado para ser restaurado e perdoado. O empregado intenta fazer o que seu patrão lhe ordena. É subordinado, não tem voz ativa, nem poder de decisão. O filho procura imitar o Pai. É parceiro e tem o direito de expressar os seus sentimentos e perspectivas. O empregado almeja reconhecimento pelo seu esforço. O filho anseia pela graça de Deus, por seu amor e aprovação (1Co 15.10).
Que tipo de filho nós temos sido? Que tipo de relacionamento estamos mantendo com Deus?

Pr. Sandoval  é casado com  Shirley